domingo, 27 de março de 2011

Assim não pode, assim não dá

Estacionamento irrelugar em frente ao 2º BPM (Botafogo).

domingo, 13 de março de 2011

Mais de mil palhaços no salão

Conversando com um amigo ontem concluí que estou cada di mais radical. Já nem sei se isso é bom ou ruim. E nem se devo ou quero ser diferente. E no mesmo bate-papo rimos muito das histórias do carnaval, que na verdade só são motivo de riso porque somos brasileiros...E fazemos de tudo piada:

1- Mocinhas com pistola jogando água em outras mocinhas que tentavam não se molhar com a brincadeira. Não tinha escolha. E se fosse entre homens? Briga na certa. Mas a sociedade vê a briga entre mulheres como baixaria. Aí a gente engole a raiva e sente pena da mocinha...

2- O cara que estaciona a mão no ombro da menina. Ela tira e ele diz: só estou querendo passar. Vai, essa é pra rir mesmo!

3- Os mijões e as mijonas. OK! Falta banheiro químico. OK! Eles são MUITO sujos. Salvo os viciados, dá pra parar de beber um pouco antes de quase fazer nas calças, né? E pros alcoólatras também há solução. Ontem numa rua do Centro do Rio um MAR de xixi alagou o passeio. Um nojo! Em Ipanema vi em 30 minutos uns 30 serem detidos. E o Guarda Municipal me jurou que a fiscalização é a mesma no centro da cidade.

4- Sinal fechado também funciona no carnaval. E lá estava eu indignada, com a mão na cintura e olhar fuzilante esperando o infrator terminar de avançar a faixa para ver se eu poderia atravessar depois disso ou se outro folião sem educação ia fazer o mesmo. Aliás, ultrapassar sinal vermelho é falta de educação cafona!

5- Meus vizinhos bestiais que não tiram a mão da buzina quando o sinal abre e os carros não andam. Jogar ovo é disperdiçar alimento. Se desse tempo eu desceria as escadas correndo para bater boca. Ainda arrumo um jeito de eles saberem da minha revolta.

6- Ah, a Beija-Flor homenageou Roberto Carlos. A Nestlé homenageia os dois na propaganda de aniversário. É! Aquela que passou antes das transmissões da Sapucaí. É, aquela que está passando há tempos. Não, a Globo não ganha dinheiro com isso. Só marca território, mostra até onde vão seus tentáculos para defender suas preferências e sim, mostra seu poder.



Hay que endurecerse, pero sin perder la ternura jamás.

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Paz na Terra aos homens de boa vontade

Pra onde você olhar, tem como AJUDAR! Hemorio, Polícia Militar, Cruz Vermelha, Caixa Econômica Federal, Bradesco, Itaú, Rodoviária Novo Rio, Grupo Pão de Açúcar, universidades, praças de pedágio, Polícia Rodoviária Federal, Senac, Viva Rio, Metrô Rio, Fecomércio, Ministério Público, Secretaria de Assistência Social, Secretaria Estadual de Saúde, shoppings, Hortifruti, Circo Voador, Tribunal de Contas do Estado.

AJUDE: água mineral; colchonetes; itens de higiene pessoal; material de limpeza; leite em pó ou em caixa; talheres; sacos de lixo, caixas de papelão e fita crepe (para embalar as doações); enlatados em geral; alimentação infantil; sopão; macarrão instantâneo; fósforos; velas e analgésicos.

E, por favor, os animais também provam nossa capacidade de sermos solidários: Grupo de Assistência e Proteção aos Animais; Clínica Bicharada; ONG Combina (Companhia dos Bichos e da Natureza); Armazém do Gemmal; SOS Animal; SOS 4 Patas - Centro de Proteção de Defesa dos Animais de Resende; Defensores dos Animais, Centro de Controle de Zoonoses (Santa Cruz, Rio). A Secretaria de Promoção e Defesa Animal do Rio recebe doações nos postos: Bonsucesso, Centro, Coelho Neto, Guaratiba, Praça Seca, Largo do Machado, Realengo, Vicente de Carvalho.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

E a população pede sangue...



A mídia aplaude, o povo comemora, o jornal vende horrores (vende muito e vende mau, com U mesmo). Sobre os moradores... Concordo que eles estão cansados de guerra. A cena das 'bandeiras brancas' é comovente. Eles pedem paz à sociedade. Polícia e bandido.

No Santa Marta, onde eu vi, não tem escola e nem posto de saúde. A pintura está ótima para quem passa na São Clemente. Mas atrás do colorido tem casa de madeira com chão de terra batida. O bondinho não funciona com plenitude, o esgoto corre pelas vielas pra quem quiser ver.

A mídia está aplaudindo e não vejo motivo pra isso. Você se lembra de quando o helicóptero da polícia civil 'caçando' traficantes na Favela da Coréia, tem uns dois anos. E eles, mortos, rolavam morro abaixo. Talvez se lembre também de quando entraram - numa das milhares vezes - no Alemão e mataram 19 pessoas. Todos bandidos? E o famoso 174. A Globo transmitiu tudo ao vivo. O que saiu do controle para o Estado entrar no Alemão agora? 2014 (ano da Copa) era o ano previsto por Beltrame. O que deu errado?

Se ontem a polícia dizimasse aqueles bandidos em fuga, a mídia gritaria por direitos humanos. A polícia não fez por causa da mídia. Mas a população está pedindo sangue. E os jornais insistem na luta do bem contra o mal.

FOTO de Nancy Pavão: Polícia na Estrada Velha da Pavuna, Inhaúma.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

As UPPs segundo Rodrigo Pimentel


Como muitos sabem, conversei com o ex-policial militar Rodrigo Pimentel (12 anos de PM e 7 de Batalhão de Operações Especiais) sobre a implantação das UPPs e seus rumos para minha pesquisa de Sociologia Urbana. Aqui está o resultado. Pimentel defende a ocupação como única medida capaz de coibir a disputa armada por territórios na cidade e aponta o risco de miliciarização das UPPs caso a não haja investimento na polícia militar do Estado do Rio de Janeiro.


A origem


“Com o fim da guerra ideológica pós-queda do Muro de Berlim e antes do terrorismo, os EUA traçaram como inimigo a cocaína e houve um processo de satanização da droga no mundo. No Rio, governos entendem as drogas como pior mal para a sociedade. Logo, vamos invadir esses guetos e matar os vendedores. Isso é absurdo, porque o que mata é a arma. Eu acreditei nisso: que estava promovendo segurança público quando entrava na favela e fazia apreensões de drogas.Entendi depois que a violência vinha da disputa de território para a venda drogas. Os traficantes dizem: 'as armas não são para atirar em policial, mas para garantir o meu ponto de venda'.”


A violência


“Entendendo a violência do Rio de Janeiro como uma disputa armada de território (para vender cocaína, botijão de gás superfaturado, maconha). Sendo assim, ela só poderia ser resolvida com a ocupação – num primeiro momento – militar do terreno. Acho que consumismo desenfreado gera um jovem que quer sair da invisibilidade através de marcas, roupas, mulheres, ouro. Pode ser essa a explicação para a participação de um jovem no grupo armado. Esa cultura de consumo é específica da cidade do Rio de Janeiro.”


A política de segurança no Rio de Janeiro


“Nos últimos 25 anos a estratégia de combate ao tráfico de drogas foi sempre a mesma: ações pontuais. Batalhões de polícia militar e delegacias de polícia civil (que atuaram ostensivamente) realizavam invasões para apreender armas e drogas. Essa foi a postura de todos os governos, independente da ideologia. Em cada alternância de governo, o processo era radicalizado. Houve uma escalada de operações que culminou com a 'gratificação faroeste' no governo Marcelo Alencar. Com o Garotinho, isso foi implementado com mais força. Com a Benedita da Silva, de orientação de esquerda, o governo teve a polícia que mais matou em sete meses.”


Retomada de território


“Cerca de 70% dos homicídios e dos roubos de carro na cidade se deram por causa dessa disputa. Assim, a melhor solução para acabar com essa violência é a ocupação, que foi tímida no governo Brizola, no morro da Providência. Era política de governo – não de estado – sem apoio. No governo Garotinho, uma nova tentativa foi feita com o Luiz Eduardo Soares, no Cantagalo e Pavão- Pavãozinho com o GPAE (Grupamento de Policiamento em Áreas Específicas): ocupação territorial para zerar homicídios. O projeto recebeu muitas críticas. Disseram que polícia estava ali para proteger traficantes.


A ocupação não acaba com o tráfico porque a demanda não cessa. Acho que a ocupação é eficiente, mesmo que desacompanhada de ações sociais contundentes, porque reduziu homicídios. Ela é suficiente porque preservou vidas humanas, mas para torná-la efetiva e poder desmobilizá-la daqui a um tempo, a ação social precisa existir.


A indicação é de um policial para 220 habitantes. Na UPP do Santa Marta, por exemplo, temos um policial para cada 35 habitantes. É uma necessidade emergencial para sufocar tráfico e retirar fuzis, mas precisamos criar condições para que essa juventude não crie gosto pelo consumo ou que tenha acesso a ele.”


O futuro das UPPs


“O ponto negativo desse processo é que a UPP é executada pela mesmo polícia de 30 anos. O risco disso é miliciarização num prazo de 5 ou 6 anos. Esse prognóstico pode ser evitado com implemento salarial para policial de UPP, com condição adequada de trabalho, com corregedoria e ouvidoria eficientes. Lamento dizer que a maioria dos policiais de UPP com os quais eu converso não estão satisfeitos e preferiam estar no BOPE combatendo bandido trocando tiro com traficante porque é mais viril, mais prestigiado, mais endeusado e mais glamurizado. Ser rambo é bonito, prevenir o crime é feio. Tudo isso é uma mentira. Eu queria sair da rotina do BOPE e ir para a rotina da ocupação porque já tinha certeza de que operação policial em favela não funcionava.


A UPP expulsou os traficantes e sinalizou o cumprimento da lei (de não permitir drogas). A pacificação vai alcançar os grandes complexos da cidade, independente de o governador querer ou não. A UPP saiu do controle do governo do Estado e agora é da sociedade, como acontece com as políticas com mais de 90% de aprovação.


Sou solidário em deixar o Complexo do Alemão por último. Não há como se ter ocupação simultânea e, se o Alemão fosse o primeiro, os traficantes de espalhariam por toda a cidade. Quando a UPP chegar até lá, eles não terão para onde ir. O traficante pode perceber que não tem mais espaço para realizar o business dele e deixar a atividade. É possível.


Acredito na polícia da pacificação. Sou entusiasta do processo. Defendo que o projeto vire lei e não possa ser desmontado em cinco ou seis anos. As unidades precisam permanecer no Rio até se apagar a cultura do narcotráfico, como aconteceu na Tavares Bastos [comunidade de Laranjeiras que é sede do BOPE]. E isso pode levar uma geração.”


E por falar em quem puxa o gatilho...

A pergunta continua: Quem puxa o gatilho?